Eu poderia dizer minha profissão. Eu poderia citar meus hobbies. Eu poderia dizer os lugares que costumo ir. Mas duvido muito que um acadêmico, mulherengo, apostador, boêmio, frequentador e devedor assíduo de pubs e tabacarias pudessem de fato resumir toda a minha abrangência cínica, narcisista e egocêntrica habitual. Não, o que faço não diz quem sou. Eu sou você. Numa versão mais filha-da-puta, é claro. Meu individualismo só perde espaço no meu universo particular pra eventuais e abusivos lapsos de humanidade, destroços de alguma personalidade minha que não sobreviveu.